quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Esposa tem mãos decepadas por não conceber filhos

              (Foto: Reprodução/Youtube/KenyaNTV)
Stephen Ngila, de 34 anos, do Quênia, foi preso na última segunda-feira (1º) acusado de tentativa de homicídio contra sua esposa, Jackline Mwende, de 27. Com um facão, Ngila decepou as duas mãos de Jackline porque ela não concedeu um filho para o casal após sete anos de casamento. A mulher também sofreu ferimentos no rosto. O caso aconteceu há duas semanas e chocou o país. Ativistas pedem punição máxima para evitar o surgimento de novos casos de violência doméstica.


Naitore Nyamu, da ONG Equality Now, disse à Reuters que, apesar de a violência doméstica ser crescente no país, este é um caso particularmente chocante para o Quênia.

O jornal "Daily Nation" divulgou que, antes de desferir os golpes contra a esposa, Ngila disse: "hoje é o seu último dia". Imagens divulgadas pela imprensa local mostram Jackline se recuperando dos ferimentos no rosto e bandagens onde estavam as mãos. A jovem se disse surpresa com o ataque, já que médicos disseram que ela é fértil, mas Ngila, não.

Josephine Mong'are, presidente de Federação Internacional de Mulheres Advogadas, diz que nada está sendo feito sobre casos como este. "Nós estamos preocupadas com a escalada de casos de violência contra mulheres no país".

De acordo com dados do governo, quase metade das mulheres que são ou já foram casadas sofreram agressões físicas dos maridos. A violência doméstica é de certa forma aceita, e as vítimas raramente buscam socorro, tanto por pressão social e como por falta de crença no sistema judiciário.

No ano passado, o país aprovou uma lei para reprimir a violência doméstica, que estava em tramitação desde 2012. O texto criminaliza vários tipos de ofensa, que vão do abuso verbal e psicológico ao estupro. A legislação também garante às vítimas aconselhamento e outras formas de suporte.

Joan Nyanyuki, diretora da Coalizão contra a Violência contra Mulheres, ressalta que a lei criou uma rede de segurança para as mulheres. "Apesar de o estigma e a vergonha continuarem, as mulheres agora têm confiança em comunicar os casos de violência doméstica, porque elas sabem que é ilegal e que existe uma lei".


(Com informações da Reuters e O Globo)

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