quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Índios continuam bloqueio em ramal da Transamazônica

Indígenas da região da Volta Grande do Xingu continuam impedindo a passagem de veículos da Norte Energia em um ramal no quilômetro 27, da rodovia BR-230, a Transamazônica. É o terceiro dia de protesto na área, que dá acesso às obras da hidrelétrica de Belo Monte, no sudoeste paraense.
 
Foto/Divulgação PRF
Pelo menos 37 ônibus da empresa estão estacionados na beira da rodovia por conta disso, informou a Polícia Rodoviária Federal. Apenas veículos que não tem relação com a Norte Energia são permitidos de seguir viagem.


Foto/Divulgação PRF
Os índios reclamam por não ter sido comunicados do início do alagamento do reservatório do rio Xingu. Alegam que com a subida do nível da água do rio, embarcações e outros objetos foram destruídos. Os indígenas dizem ainda as águas do Xingu estariam sujas, prejudicando a pesca no local. O grupo diz que só vai deixar o local quando a Norte Energia se posicionar sobre as reivindicações.

O ORM News não conseguiu contato com o Ibama e com a Funai. A Norte Energia ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Obra polêmica

Em construção desde 2010, a usina hidrelétrica de Belo Monte é alvo constante de protestos, especialmente de índios habitantes das terras Paquiçamba, Arara da Volta Grande e Juruna do Km 17, próximas ao empreendimento. As obras são intensamente debatidas desde a concessão da licença prévia para sua construção.

Ativistas e lideranças indígenas da região dizem que os impactos socioambientais do projeto não foram suficientemente dimensionados. Já a empresa responsável pela construção, diz que entre 2007 e 2010, foram realizadas 12 consultas públicas, quatro audiências públicas com o Ibama e 30 reuniões em aldeias indígenas com representantes da Funai. Os ativistas apontaram problemas na forma de realização das audiências.

O cumprimento das 54 condicionantes previstas na licença do empreendimento também já foram alvo de protesto. Em 2012, à época da Rio+20, os índios xikrin ocuparam uma das ensacadeiras (um tipo de barragem) no sítio Pimental e pediram a suspensão da obra. Os indígenas ficaram no canteiro de obras por 21 dias e só saíram após longa negociação com a Norte Energia.

A previsão é que Belo Monte comece a gerar eletricidade em março. O prazo tem um ano de atraso ao cronograma original.

ORMNews

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