sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Polícia Federal trata como homicídio o caso dos desaparecidos no Sul do AM

Por meio de nota, a Polícia Federal (PF) em Rondônia informou que as conclusões das investigações do desaparecimento de três homens na BR-230 (Transamazônica), no Sul do Amazonas, no dia 16 de dezembro de 2013, apontam para a ‘ocorrência de homicídio praticado pelos [índios] presos dentro de uma das aldeias e posterior ocultação de cadáver’.
 
Índios Tenharim na Rodovia Transamazônica (Foto: G1)
Cinco indígenas da etnia Tenharim foram presos na quinta-feira (30), durante uma operação que teve participação de 400 homens da PF, Exército, Força Nacional e Polícia Rodoviária Federal (PRF). Eles foram encaminhados à Penitenciária de Médio Porte (Pandinha) em Porto Velho.


Ainda segundo a nota da PF, as investigações percorreram aproximadamente 250 hectares e peças do veículo usado pelos desaparecidos foram encontradas dentro da terra indígena. Além disso, foram usados cães farejadores, testemunhas indígenas e não-indígenas foram ouvidas e perícias técnicas foram realizadas nas peças encontradas. Os cadáveres não foram encontrados.

Na manhã desta sexta, houve comoção na sede da PF em Porto Velho por parte de familiares do professor Stef Pinheiro de Souza, um dos homens que desparecidos no Sul do AM. “A esperança acabou”, disse o irmão do professor, o vigilante Stefson Pinheiro. O pai dele, o aposentado Nilo Bezerra Souza, de 80 anos, chorava muito e não conseguiu falar. O plantão da PF em Rondônia informou que, diariamente, recebe ligações e a presença de familiares dos desaparecidos, em busca de informações novas.

Conflito na região
Moradores dos municípios de Apuí e Humaitá promoveram diversos protestos no dia 25 de dezembro para cobrar agilidade da Polícia Federal em Rondônia (PF-RO) nas buscas pelos desaparecidos. Os manifestantes chegaram a atear fogo em carros, barcos e nas sedes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e antigas instalações da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em Humaitá. No dia seguinte, policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Amazonas seguiram para o município.

Após os ataques, 143 indígenas foram abrigados no 54º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS), em Humaitá. A Justiça atendeu ação do Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) e os índios retornaram às aldeias seis dias depois com a escolta do Exército.

Apesar do reforço policial, o Sul do estado continuou registrando conflitos. Um grupo de madeireiros e fazendeiros ateou fogo em casas localizadas em uma aldeia indígena situada na área do município de Manicoré.

A região recebeu mais reforço da Polícia Federal e homens da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) auxiliaram nas ações de segurança pública desencadeadas no Amazonas no mesmo período. O Exército e Polícia Rodoviária Federal (PRF) também apoiam as ações na região. Cerca de 500 homens atuam nas operações.

No dia 3 de janeiro, equipes dos órgãos de segurança que participam das buscas pelos homens encontraram vestígios de um veículo incendiado, segundo nota divulgada pela Polícia Federal em Rondônia. Nenhum dos desaparecidos foi encontrado. As peças encontradas ainda passam por análise para confirmar se são do mesmo veículo dos desaparecidos.

Os moradores reclamam ainda da cobrança de pedágio feita pelos índios em um trecho da Transamazônica. Os Tenharim suspenderam a cobrança. Entretanto, a divulgação de que eles estão planejando retornar com a taxa a partir de fevereiro motivou novos protestos. Moradores de Humaitá iniciaram a coleta de assinaturas para pedir que a prática seja totalmente abolida.

Após uma negociação entre os indígenas e representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, ficou definido que a cobrança de pedágio continuará suspensa até que as políticas públicas solicitadas ao governo federal sejam analisadas.

G1/RO

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