quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Coleta de assinaturas cobra pesquisa sobre poluição no Rio Tapajós



Um grupo, formado por jornalistas, professores, estudantes e outros profissionais, iniciou na noite de terça-feira (14), em Santarém, oeste do Pará, uma mobilização para a coleta de assinaturas em uma petição pública, pedindo ao governo do Estado que custeie uma pesquisa para verificar o grau de contaminação do Rio Tapajós.
 

Coloração habitual, como na foto, não se estende por toda a extensão do rio (Foto: Joab Ferreira/G1)
A suspeita, segundo o grupo, é de que o rio esteja sendo contaminado por produtos químicos decorrentes de trabalhos em garimpos e da mineração industrial. Segundo pesquisadores, na década de 1980, quando aproximadamente 500 mil pessoas se dedicavam à atividade garimpeira na região, toneladas de barro e mercúrio foram despejados contaminando as águas do Rio Tapajós.

“Já há um antecedente. Há 25 anos, o Tapajós ficou cheio de lama, peixes foram contaminados e pessoas adoeceram. As praias ficaram amareladas. As pessoas não podiam cair na água porque ficavam com o corpo cheio de coceira”, afirmou o jornalista e pesquisador Manuel Dutra.


No processo de garimpagem, o mercúrio é usado de forma líquida. Com isso, o metal pode capturar grãos de ouro, formando uma liga. A suspeita é de que, novamente, atividades que prejudicam o meio ambiente estejam sendo realizadas. A intenção é de que pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) colham amostras de vários pontos do rio e façam os testes em laboratórios para traçar um diagnóstico, com os custos bancados pelo governo do Estado.

“Vamos entregar a petição em mãos ao governador Simão Jatene, exigindo que até maio esteja pronta a pesquisa que comprove cientificamente se o rio está ou não sendo poluído novamente. A nossa hipótese é de que está sendo poluída”, completou Dutra.

Nos últimos três anos, com a subida do preço do ouro, a garimpagem retornou com força ao vale do Tapajós/Jamanxim. No entanto, não se trata mais da ação de milhares de peões, mas da introdução de tecnologia mais avançada, o que pode provocar danos à saúde, meio ambiente e prejudicar a economia na região.

“Santarém, sem o Rio Tapajós, ficará uma cidade fantasma. Qual vai ser o chamariz turístico com o rio amarelado e as praias sujas? Alter do Chão vai para aonde? Os investimentos feitos vão para aonde? Quem vai a Alter do Chão ver o Sairé e tomar banho na Ilha do Amor?”, questiona o pesquisador.

A coleta de assinaturas prossegue até o dia 25 de janeiro. Qualquer pessoa pode participar, bastando acessar o endereço eletrônico da petição pública (clique aqui)
G1/STM

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