terça-feira, 4 de junho de 2013

Jacareacanga: Comissão de Justiça da Câmara de Vereadores denuncia Policia Militar

“No meio do povo comum é fácil para polícia identificar um bandido, mas no meio da Polícia o cidadão comum não sabe identificar quem é o bandido, pois todos usam fardas, tem autoridade e portam armas”


A Comissão Permanente de Constituição, Justiça, Cidadania, Serviços Públicos e Redação Final, da Câmara de Vereadores de Jacareacanga, fez um relatório sobre as denúncias das ações truculentas de alguns policiais do Comando de Missões Especiais, da Polícia Militar de Belém, Base de Jacareacanga, atos que vêm deixando a população local assustada e muitas vezes até acuada dentro da própria casa.

  

O documento que foi aprovado por unanimidade em 15/03/2013 em plenário, só agora foi entregue ao Tenente Coronel Sérgio Santiago do Comandante do CPR-10, numa reunião cheia de tensão ocorrida na Câmara Municipal no último dia 31 de março, presidida pelo vereador Raimundo Batista Santiago (PT).


Adjetivos como “bandido” e “vagabundo”, são usados com frequência nas abordagens em até cidadãos de bem, conhecidos na cidade, como foi o caso do vereador Walter Tertulino Azevedo e do servidor público municipal José Augusto da Silva Martins. Segundo depoimento do vereador e do servidor público municipal à Comissão, no dia 18 de fevereiro deste ano, por volta das 17h30, os dois amigos se dirigiam à residência do vereador Walter Tertulino, quando uma viatura da Policia Militar os cercou e mandou que os dois descessem das motos e colocassem as mãos na cabeça.


“Os policiais já vieram de armas longas em punho, aos berros dizendo pra virarmos de costas. Eu ponderei dizendo que nós não éramos bandidos e que os policias deveriam pedir primeiro a identificação”, disse o vereador, acrescentando que o Cabo da guarnição em tom de exaltação perguntou que ele era para dizer como os policiais deveriam proceder. “Temendo sofrer alguma agressão física me identifiquei como vereador. Foi quando o Cabo retrucou dizendo que na minha testa não estava escrito que eu era vereador”, lembra Walter Tertulino.

O indígena Adriano Poxo Munduruku, morador na Reserva Indígena Sai Cinza, disse à Comissão que no dia 17 de fevereiro sua família viveu momentos de terror, quando uma guarnição da Policia Militar invadiu sua humilde residência, quebrando vasilhames, revirando tudo dentro do barraco.

O Tenente Coronel Sérgio Santiago, do CPR-10, ouviu atentamente na reunião do último dia 31, com a Comissão Permanente de Constituição, Justiça, Cidadania, Serviços Públicos e Redação Final, na Câmara de Vereadores e populares, denúncias de extorsão nas supostas cobranças de fianças e taxas para realização de festas na cidade.

Santiago ouviu do agricultor, Sebastião Adenilson Santos (Madureira), 50 anos, que tem sua propriedade no Estado do Amazonas, há 80km de Jacareacanga, que os policias estiveram em sua propriedade causando terror. “Eles entraram em minha casa, apreenderam minha espingarda que estava desmontada, disparam vários tiros em uns tambores em frente a minha casa e por fim me lavaram preso”, disse o agricultor, acrescentando que os policiais cobraram 10 salários mínimos para libertá-lo e que depois de muita negociação a fiança ficou arbitrada em R$ 1.500,00. “Após 17 horas preso, consegui o dinheiro e só assim fui liberado pela Polícia”, disse o agricultor.

Ao se pronunciar, era visível o desapontamento no rosto do Tenente Coronel Sérgio Santiago. “O Policial Militar é doutrinado para servir a comunidade e combater o crime. Quero trazer aos senhores segurança. Diz um antigo provérbio chinês: Podemos escolher o que semear, mas somo obrigados a colher o que semeamos”, disse o oficial, acrescentando que estava em Jacareacanga para plantar uma semente de compromisso e de confiança com a comunidade.

Sobre as denúncias, o oficial disse que estaria encaminhando todas elas à Corregedoria da Polícia Militar, bem como Comando de Missões Especiais em Belém. “Todas as denúncias serão apuradas e se comprovadas, os responsáveis serão punidos”, disse Santiago. “Pedirei permissão ao CME, para atuar como fiscal das ações dos policias com atuação neste município e me colo à disposição de cada um dos senhores para denunciar a má conduta de policiais”, finalizou.
Texto e Fotos
Nonato Silva


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