sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Polícia flagra regime de escravidão e cárcere privado em prostíbulo de Altamira

Local mais parecia um curral (Foto: Bruno Carachesti)

 A Polícia Civil de Altamira, no Pará, encontrou 17 mulheres e um travesti em regime de escravidão e cárcere privado em um prostíbulo localizado em área limítrofe de um dos canteiros de obras da hidrelétrica de Belo Monte. A operação foi realizada na noite de quarta-feira, 13, após denúncia de uma garota de 16 anos, que conseguiu fugir. A adolescente procurou a conselheira do Conselho Tutelar, Lucenilda Lima, que acionou a polícia.

A primeira informação seria que 14 pessoas teriam sido resgatadas, mas os últimos informes da Polícia Civil aumentaram o número para 18, sendo 5 resgatadas na noite de quarta e outras 13 na quinta-feira.

De acordo com o delegado Rodrigo Spessato, que comandou a operação, as mulheres eram confinadas em pequenos quartos sem janelas e ventilação, com apenas uma cama de casal, e havia cadeados do lado de fora das portas. Elas tinham entre 18 e 20 anos – além da jovem de 16, e eram provenientes do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. De acordo com o delegado, em depoimentos, as vítimas afirmaram que podiam ir à cidade de Altamira uma vez por semana, por uma hora, mas eram vigiadas pelos funcionários da boate.

Além da situação de cárcere privado, a polícia também encontrou no local um caderno onde eram anotadas as dívidas das meninas, como gastos com passagens, alimentos, e vestimentas, além de “multas” por motivos diversos.

(Foto: Filipe Redondo/ÉPOCA)
Adão Rodrigues (foto), ex-barrageiro, era dono de um prostíbulo próximo de onde está sendo construída a hidrelétrica de Jirau, em Rondônia. Com a construção de Belo Monte, inaugurou um prostíbulo em Altamira. A foto foi tirada em 4 de julho de 2011.

Segundo Lucenilda, do Conselho Tutelar, as garotas disseram ter muito medo de retaliações, uma vez que o dono da boate teria ameaçado seus familiares que moravam no Sul.

Em entrevista à reportagem, uma das jovens resgatadas contou que, assim que a adolescente de 16 anos conseguiu fugir, o gerente a seguiu com uma arma. “Ele saiu atrás dela armado e disse que não custava matar uma, que ninguém ficaria sabendo”, afirma a garota, que tem 18 anos. Procedente de Joaçaba, no interior de Santa Catarina, ela conta que trabalhava em uma boate cuja cafetina era “sócia” do dono da boate no Pará. “Viemos em nove lá de Joaçaba. Falaram para gente que seria muito bom trabalhar em Belo Monte, que a gente ganharia até R$ 14 mil por mês, mas quando chegamos não era nada disso”, conta.
(Diário do Pará)

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